Cupins? Tô fora! Esses insetos não pagam aluguel para morar na sua casa, não é mesmo? Então dê uma ordem de despejo para eles

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Se você já ouviu dizer que os siriris (ou aleluias) que ficam voando ao redor de lâmpadas em
noites quentes são cupins, então ouviu uma informação correta. Quando as revoadas
acontecem, macho e fêmea se encontram e vão em busca de um local escondido onde possam
formar uma nova colônia. Esse local escondido pode ser uma fresta na parede ou uma borda
machucada de móvel.

E é quando a gente limpa e organiza os ambientes que tem mais chance de descobrir se a casa
está sendo atacada pelos temidos cupins. Eles agem na sombra, é verdade, mas deixam sinais
bem claros de sua presença. Se a gente prestar atenção nesses sinais e tomar providências
logo, esses insetos provavelmente não causarão todos aqueles prejuízos que várias pessoas
relatam.

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Em primeiro lugar, saiba que há dois tipos de cupins, que pertencem a espécies e famílias
diferentes e têm hábitos distintos.
O cupim de solo, também conhecido como subterrâneo, faz seu ninho embaixo da terra, em
locais úmidos, formando colônias com milhões de indivíduos. É o que provoca mais estragos,
pois danifica paredes e instalações elétricas e hidráulicas enquanto procura os materiais de
que se alimenta, ou seja, madeira e papel.
Já o cupim de madeira, como o nome indica, ataca exclusivamente madeira e papel com
pouca umidade. Ele se instala no próprio móvel e em outros itens, em grupos menos
numerosos.

Como diferenciá-los?

Simples: basta observar o rastro que os insetos deixam. “Se aparecerem túbulos [pequenos
túneis] terrosos em paredes, fundos de armário, rodapés, batentes de portas e de janelas,
telhado etc, trata-se de infestação de cupins de solo”, explica Francisco José Zorzenon,
pesquisador do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do
Estado de São Paulo.

Foto: Reprodução do blog Como Acabar com os Cupins
Legenda: Túneis em itens de madeira e paredes revelam a presença de cupins de solo.

“Mas se você encontrar um material granuloso, um pó [grossinho] semelhante a areia, em
peças de madeira, móveis ou livros, é infestação causada por cupins de madeira”, continua o
especialista. Sabe o que são esses grãozinhos? Fezes de cupim. 🙁

Foto: Lisatop/iStock

Legenda: O pó grosso junto ao batente da porta, ao assoalho e ao pé de um móvel indica o ataque de cupins de
madeira.

Como é feito o combate?

Nesse segundo caso, a boa notícia é que você pode se livrar da praga com aqueles produtos de
uso específico contra cupins facilmente encontrados em home centers e lojas de material de
construção. Lembre-se de manuseá-los com cautela, usar luvas e máscaras de proteção,
manter o ambiente ventilado e seguir à risca as recomendações do fabricante.

Agora, se o seu inquilino indesejado for o cupim de solo, a saída é recorrer a dedetizadoras
especializadas, as únicas autorizadas a utilizar produtos que têm eficiência comprovada contra
esse tipo de inseto subterrâneo. Segundo Zorzenon, existem duas formas de combate: por
meio de iscas ou de tratamento químico.

“As iscas possuem um ingrediente que afeta apenas os insetos, sendo menos agressivas ao
meio ambiente e à saúde. São muito eficientes, porém, têm ação mais lenta e restrita a apenas
algumas espécies”, diz ele.

“O tratamento químico, por sua vez, consiste na criação de uma barreira perimetral com uma
série de substâncias seguras, só que mais tóxicas em comparação às iscas”, explica Zorzenon.

Antes que você saia por aí xingando os cupins do planeta, o pesquisador lembra que nem
todos causam danos. “Existem aproximadamente 3 mil espécies identificadas no mundo,
sendo que 10% delas vivem no Brasil. Dessas, apenas algumas são consideradas pragas
urbanas. As demais são importantes agentes decompositores, além de servirem de alimento a
uma série de animais na cadeia alimentar de nosso ecossistema”, observa Francisco.

Viu só? Até esses bichinhos têm seu papel. Mas, ok, tá liberado amaldiçoar aqueles que são
pragas!

Beijos,

Mica ♥